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Um site multilingue bem feito tem uma versão completa e adaptada para cada língua, com um URL próprio (por exemplo, /fr/ ou /en/), marcação hreflang que liga as versões entre si e textos escritos para cada mercado, não apenas traduzidos. Assim, o Google mostra a cada visitante a versão certa e o visitante encontra, na sua língua, tudo o que precisa para reservar.
Para um hotel em Fátima, um turismo rural perto de Tomar ou uma empresa de experiências na região Centro, falar a língua do visitante é muitas vezes a diferença entre uma reserva direta e uma reserva pela plataforma. Este guia explica como fazê-lo sem erros que custam visibilidade.
Que línguas escolher
Não comece pela lista de línguas que gostaria de ter. Comece pelos dados que já tem:
- Origem dos hóspedes: o seu PMS ou as plataformas de reserva mostram de que países vêm os hóspedes.
- Língua do navegador dos visitantes do site, no Google Analytics.
- Pesquisas no Perfil de Empresa no Google e avaliações: em que línguas escrevem os seus clientes?
- Estatísticas oficiais do turismo para a sua região, publicadas pelo INE e pelo Turismo de Portugal.
Em Fátima, o perfil é particular: além do português, há muita procura de visitantes de língua espanhola, francesa, inglesa, polaca e italiana, por razões ligadas às peregrinações.
Regra prática: é melhor ter três línguas bem feitas e mantidas do que oito incompletas. Cada língua é um compromisso de manutenção: preços, promoções, horários e novidades têm de ser atualizados em todas.
Como estruturar os URL
O Google recomenda URL diferentes para cada versão de língua, em vez de mudar o idioma da mesma página com cookies ou scripts. Há três formas comuns de o fazer:
Subpastas: exemplo.pt/fr/
A opção mais simples e a que recomendamos para a maioria dos hotéis e PME. Todas as línguas partilham o mesmo domínio e a mesma autoridade, e a gestão técnica é centralizada.
Subdomínios: fr.exemplo.pt
Funciona, mas é mais trabalhoso de gerir e não traz vantagens claras para um negócio pequeno.
Domínios por país: exemplo.fr
Faz sentido para marcas com operação real em cada país. Para um hotel em Portugal, raramente compensa o custo e o esforço de construir autoridade em vários domínios.
Um detalhe que faz diferença: traduza também os próprios URL. /fr/chambres diz mais a um visitante francês, e ao Google, do que /fr/quartos.
O que é o hreflang e porque é indispensável
O hreflang é uma marcação, invisível para o visitante, que diz ao Google: «esta página tem estas versões noutras línguas». Sem ela, o Google pode mostrar a versão portuguesa a um visitante francês, ou considerar as versões como conteúdo duplicado.
Para funcionar, o hreflang tem de cumprir algumas regras, descritas na documentação do Google sobre versões localizadas de páginas:
- Cada versão aponta para todas as outras e para si própria. Se a página francesa aponta para a inglesa, a inglesa tem de apontar de volta.
- Códigos corretos:
pt-PT,fr,en,es,pl. Um código errado é simplesmente ignorado. - Uma versão por defeito (
x-default) para quem não corresponde a nenhuma língua. - Só se liga a versões que existem. Se uma página não tem tradução, não declare uma alternativa que leva a um erro ou à página inicial.
Tradução ou adaptação?
A tradução automática melhorou muito, mas um site de hotel não é um documento técnico. É uma conversa com alguém que está a decidir onde dormir. Erros de tom, expressões literais e termos que ninguém pesquisa transmitem descuido, e o hóspede nota.
O que recomendamos:
- Use a tradução automática como rascunho, nunca como versão final.
- Revisão por um falante nativo com conhecimento do setor.
- Adapte, não traduza: um visitante polaco e um visitante inglês procuram coisas diferentes. Destaque o que importa a cada um.
- Pesquise palavras-chave em cada língua. A forma como um espanhol pesquisa um hotel junto ao Santuário não é a tradução literal da pesquisa em português.
O nosso serviço de copywriting trata da adaptação dos textos, e o de SEO da pesquisa de palavras-chave em cada mercado.
Erros comuns que vemos em sites de hotelaria
- Redirecionar automaticamente pela língua do navegador. Impede o visitante de escolher e pode impedir o Google de ver todas as versões. Ofereça uma sugestão discreta, nunca um redirecionamento forçado.
- Bandeiras como seletor de língua. Uma bandeira representa um país, não uma língua. Use o nome da língua na própria língua: Português, Français, English.
- Seletor que leva sempre à página inicial. Quem está na página dos quartos e muda de língua deve continuar na página dos quartos.
- Motor de reservas só numa língua. De nada serve o site estar em francês se o passo final está apenas em português.
- Metadados por traduzir. O título e a descrição que aparecem no Google também têm de estar na língua certa.
- Versões abandonadas. Preços de há dois anos na versão inglesa afastam mais do que não ter versão inglesa.
Lista de verificação antes de lançar
- Cada língua tem todas as páginas essenciais: quartos, localização, reservas, contactos, condições.
- URL traduzidos e coerentes.
- Hreflang recíproco em todas as páginas, com
x-default. - Título e meta descrição únicos em cada língua.
- Motor de reservas, emails de confirmação e mensagens automáticas na língua do hóspede.
- Perfil de Empresa no Google com descrição pensada para quem pesquisa noutras línguas.
- Velocidade verificada em todas as versões, sobretudo no telemóvel.
Um exemplo de escala
O portal oficial da Visit Marrakech, que desenvolvemos, está disponível em mais de 12 línguas. Os princípios são os mesmos de um pequeno hotel: estrutura de URL clara, hreflang correto e conteúdos pensados para cada mercado. Muda apenas a escala.
Para um hotel ou alojamento local, o ponto de partida costuma ser mais simples. O nosso serviço de criação de sites inclui de base as versões em português, inglês e francês, num site institucional até 8 páginas, desde 2.900 € mais IVA. Outras línguas são orçamentadas à parte. Se quer perceber como encaixa na sua estratégia de reservas, leia também o guia sobre reservas diretas.
Perguntas frequentes
Posso usar só um plugin de tradução automática?
Pode, mas não é recomendável como solução final. Traduções automáticas sem revisão têm erros de tom e de vocabulário que afastam hóspedes e não correspondem ao que as pessoas pesquisam. Use-as como rascunho e reveja cada texto com alguém que domine a língua e o setor.
Quantas línguas deve ter o site de um hotel?
As que consegue manter atualizadas e que correspondem a mercados reais. Para muitos alojamentos em Fátima e no Centro, português, inglês e espanhol ou francês são um bom começo. Acrescente outras quando os dados de reservas o justificarem e tiver capacidade para as manter.
O hreflang melhora as posições no Google?
Não diretamente. O hreflang não faz subir uma página, mas garante que o Google mostra a versão certa a cada visitante e evita que as versões sejam tratadas como duplicadas. Na prática, isso significa mais cliques de quem pesquisa noutras línguas e menos visitantes a sair por não perceberem a página.
É melhor ter um domínio .fr ou .es para cada mercado?
Para a maioria dos hotéis e PME, não. Subpastas no domínio principal concentram a autoridade num só site, são mais fáceis de manter e funcionam bem com hreflang. Domínios por país fazem sentido para empresas com operação, equipa e estratégia própria em cada mercado.

Ali Ourtanane
Gestor de Projetos Web




